O futuro da Moda digital passa pelo gaming



Para a maioria, a moda digital é um fenômeno recente. “Para quê comprar uma peça de roupa se não a vou poder vestir na realidade, se esta não fará parte do meu armário?” Esta é apenas uma entre tantas outras perguntas que pairam sobre a cabeça de quem ouve falar deste conceito. Mas há uma comunidade que já contacta com a moda digital há muito, muito tempo, uma comunidade que lhe reconhece todo o valor e que revela ser uma parte crucial do seu futuro na indústria: o gaming.


Em 2019, a Louis Vuitton abriu publicamente o jogo do investimento no mercado dos videogames, ao ser uma das marcas parceiras da final do campeonato mundial de League of Legends. Não só foram criadas skins (itens virtuais que mudam a aparência de uma personagem no jogo, como peças de roupa ou acessórios) assinadas pela marca de luxo para serem usadas unicamente pelos jogadores, mas também Nicolas Ghesquière, diretor criativo da Louis Vuitton, que desenhou a taça com a qual o vencedor da competição seria galardoado.

Mais tarde, a colaboração entre a marca de moda e o gigante dos videojogos materializou-se numa coleção física. Estava assim definido o precedente para futuras parcerias que iriam aproximar a indústria ao setor do gaming.

Da participação da Marc Jacobs e da Valentino no jogo Animal Crossing, até à parceria The North Face x Gucci que, antes de chegar a qualquer loja, chegou ao Pokémon Go, o que não faltam são exemplos de como a Moda tem beneficiado de colaborações digitais. Coleções que esgotam em minutos, a possibilidade de receber exposição perante milhares de milhões de jogadores por todo o mundo e uma comunidade que nunca faria fila em frente a uma loja física, mas que espera horas pela aquisição destes itens digitais.

Uma das marcas que tem sabido jogar (e bem) neste novo panorama digital é a Balenciaga.


Para a sua coleção de outono/inverno de 2021, Demna Gvasalia, diretor artístico, lançou o seu próprio videojogo, Afterworld: The Age of Tomorrow, a partir do qual eram exibidos os coordenados criados pela marca para a estação. Meses mais tarde, a marca colaborou numa coleção-cápsula com a Playstation 5. E, agora, o seu mais recente passo promete servir de exemplo para casos de sucesso na indústria da Moda digital.

Lançada no dia 20 de setembro, a colaboração Balenciaga x Fortnite tomou proporções que ainda não tinham sido atingidas. Em primeiro lugar, porque são mais de 350 milhões os jogadores inscritos nesta plataforma digital. E, de facto, esta é a primeira colaboração que o Fortnite optou por realizar com uma marca de Moda. Para além disso, esta parceria permitiu recriar, através do jogo, uma réplica virtual dos espaços físicos da Balenciaga, onde os jogadores podiam adquirir as peças virtuais da marca.

“A gamificação irá influenciar muitas coisas, mas há uma aplicação óbvia na Moda. Porque é suposto que esta seja uma arena experimental, em que deves poder expressar-te e ter a possibilidade de testar novas coisas”, afirmou Michaela Larosse, diretora de estratégia criativa para a marca de Moda digital The Fabricant. No geral, existem várias vantagens relacionadas com a Moda digital. Esta é uma abordagem mais sustentável à indústria, pois permite consumir em larga escala sem, na verdade, ser preciso gastar uma quantidade significativa de recursos.


Ainda, todas as colaborações que têm vindo a ser realizadas entre marcas de luxo e videojogos têm também contribuído para a democratização da indústria. Até porque, apesar das coleções físicas continuarem a ser marcadas pelos preços elevados, uma grande parte dos itens digitais disponíveis apresentam valores mais reduzidos, chegando mesmo, por vezes, a ser completamente grátis.

No fim de contas, é compreensível que a Moda digital não seja apreciada por todos os consumidores. Não há como negar as diferenças entre comprar uma peça física e uma peça digital. Mas se há lugar para este novo tipo de consumo virtual, esse lugar será o mundo do gaming. E uma coisa é certa: estamos só no início.